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Artigo - A pedra de Drummond – Elói Alves.
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Há algum tempo (obséquio não pedir data), mestre Drummond veio ocupar, à minha esquerda, uma velha cadeira da qual me inspirava o sensível e mágico Quintana.

De suas “retinas tão fatigadas” fazia ecoar que “tinha uma pedra no meio do caminho”.

Professor Arthur, mestre tão pareado com aqueles literatos, no Direito Notarial, e tão singelo cidadão a zelar pelo respeito aos Direitos Fundamentais, lembrou-me, outra vez, da ausência de minhas análises para os leitores. Peço-lhes, então, que caminhem sobre as pedras e observem:

Sem hermenêutica “aberta”, à moda de Eco, observa-se nos versos drummondianos a intenção artística, própria da linguagem poética, onde a variação de sentido é inerente, portanto: válida.

De outra mão, na linguagem referencial, cuja função constitui-se de objetividade, tendo por fim um texto despido de ambiguidades, resultando-se comunicação clara, usar-se-á o verbo HAVER: “Havia pedras pontiagudas”, “há pessoas tirânicas sem nenhum poder constituído”; “há alma boa como doce desejo”.

Embora fatigados, os sentidos do poeta cravaram a imagem, expressa com o verbo ter; todavia, por mais que lhe tenha marcado ou ferido ao fundo, sintaticamente não existe um sujeito verbal, razão pela qual usa-se haver, como se fez referir.

Elói Alves é escritor, consultor linguístico, tradutor e professor; estudou Letras Clássicas na FFLCH-USP, licenciou-se em Língua Vernácula na FE-USP, é discente do curso de Direito da FMU- Liberdade; é autor de O Olhar de Lanceta: Ensaios Críticos sobre Literatura e Sociedade (2015), Contos Humanos (2013), As Pílulas do Santo Cristo (2012), Sob um céu cinzento (2014), entre outros; escreve em www.escritoreloialves.com.br

Eliézer
29/03/2019

Excelente!

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Daniele França
29/03/2019

Me mantenha informada

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Jose Roberto
28/03/2019

Sim á almas boas Você é uma delas meu amigo .

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Iraci
28/03/2019

Excelente observação!

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